|
RELATOS / DEPOIMENTOS
2008
Roberto Trevisan - RS - Relato Colorado Last Chance 1200Km - EUA - Setembro 2008
Henrique Valor Caldas - GO - Relato Rocky Mountain 1200Km - CANADÁ - Julho 2008
Dessa vez, decidir iniciar meu relato mais cedo, pois minha corrida contra o tempo e os obstáculos se tornaram maiores, mas a força de vontade para participar desse desafio foi muito maior. Ao longo da semana havia recebido um convite do Eduardo Bernhardt para ficar na casa de uma família em Campinas e como eu estava tentando minimizar custo não poderia recusar essa proposta.
Minha primeira missão foi embalar a bike e para isso tive que contar com a ajuda do meu assistente de portaria, era 18: hs de quarta-feira quando comecei a ensacolar a bike, o Eduardo havia comprado passagem para o Ônibus de 23:30hs de quinta-feira, nós nos programamos para chegar cedo em Campinas e procurar o bairro onde iríamos ficar de bike para economizar o táxi, tínhamos apenas um mapa e o telefone como direção.
Mas sabíamos que isso não seria problema, pois nossa chegada estava marcada para as 05:00hs da manhã e teríamos tempo de folga para qualquer eventualidade. Na quinta-feira feira durante o dia ficamos nos comunicando para checar se estava tudo ok. Passagem na mão e inscrição feita, partimos para a rodoviária novo Rio cedo, a principio pensávamos em ter algum “stresss” com o transporte das bikes, mas foi tudo a mil maravilhas, as pessoas ficam maravilhadas com nossas recumbent e relevam alguns detalhes que normalmente criariam se estivéssemos com duas bikes híbridas.
As 04:45hs da manhã estávamos chegando em Campinas bem mais cedo do que esperado, as lojas da rodoviária ainda estavam fechadas e aproveitamos para fazer nossa higiene matinal, depois disso fomos montar as bikes, como não era surpresa, ficamos rodeados de curiosos e respondendo aquelas perguntas que vocês já conhecem. As 05:30hs estávamos com as bikes montadas e aproveitamos para tomar nosso café da manhã em uma lanchonete que estava abrindo.
As 06:00hs da manhã partimos para procurar nosso endereço, eis que começa nosso primeiro obstáculo imposto pela falta de atenção, na hora da montagem da minha bike não passei a corrente pela roldana correta e quando comecei a pedalar sentir que algo estava diferente, minha sorte foi que como íamos enfrentar uma ladeira de inicio, fui saindo bem devagar e girando leve o pedal leve, logo escutei um treck, treck, treck... E percebi que a roldana estava fora do lugar e o parafuso de aço inoxidável estava empenado. Paramos e ficamos a olhar um para o outro e o pensamento foi o mesmo, “Adeus 300km de Campinas” não tinha roldana de reserva, mas a sorte estava ao nosso lado e apenas o parafuso sofreu avaria, rapidamente reparei o erro e seguimos com um gatilho feito, mais sem abusar da sorte seguimos ate Barão Geraldo curtindo o por do sol que começava a brilhar naquela sexta-feira em Campinas.
As 07:45 hs estávamos chegando em casa, fomos recebidos como se fossemos da família e fiquei lisonjeado pela recepção e passei a crer ainda mais que existem pessoas com boa vontade em ajudar e servir o próximo, cheguei meio sem jeito, tinha um café com bolo na mesa esperando por nós e não podíamos fazer desfeita, sendo assim fizemos nossa segunda alimentação matinal, mas nos precisávamos disso em breve iríamos perder esses quilinhos adicionais. O Eduardo estava se sentindo em casa e o João Ignácio, por está vendo pessoas diferente do seu convívio se sentia super feliz, não parava de mostrar seus brinquedos e fazia tudo para atrair sua atenção, volta e meia ele tentava correr para a rua e nós corríamos atrás dele para segura-lo, isso era cedo, mais nós ainda precisávamos sanar o problema do parafuso empenado.
Antes de sair para o socorro da bike, consultamos as paginas amarelas e mapeamos os prováveis lugares onde poderíamos encontrar o bendito parafuso para fixar a roldana correta, mas não foi difícil porque depois de ter amanhecido com os raios do sol, tudo tinha que dar certo. Na primeira loja de parafusos que encontramos conseguimos resolver nosso problema mais grave, depois disso saímos à procura de alguns acessórios que estávamos precisando, mais não era nada que fosse impedir nossa participação no audax, como estávamos possuídos pelo espírito estradeiro, decidimos fazer tudo pela cidade de bike, para encurtar o relato, fizemos um pequeno role de +- 100 km, fomos ao Decatlon pela rodovia D. Pedro a procura de pneu de alta pressão, mas não encontramos e partimos para o outro lado da cidade, isso já era 13:00hs, o sol estava tão feliz com a gente que não dava uma trégua, nos seguia de perto, quem sofria mais com ele era o Edu por ter a pele mais sensível . As 14:00 hs lembramos que havíamos marcado de encontrar com a Sonia para almoçar-mos em uma churrascaria próxima de casa, lá fomos nós atravessando outra vez as rodovias para não atrasar o encontro e as 14:15 estávamos encontrando com a Sonia para o almoço. Pegamos leve e entramos no Rodízio de carnes, saladas, massas etc... Não parou por ai, porque o Edu queria de qualquer maneira encontrar um pneu de alta pressão, enfim encontramos uma loja que tinha o pneu, mas isso já era 17:00hs, estávamos uns 20km de casa, não representava nada para quem ia fazer 300 km no dia seguinte, assim voltamos para casa pensando em descansar para acordar cedo e enfrentar o verdadeiro Audax.
Chegamos em casa, fizemos o ckec-in para ter certeza de que não faltava nada e fomos dormir as 23:00hs, as 03:30 hs da manhã tocou alvorada, pois tínhamos 10 km para pedalar ate o Decatlon onde estava marcado a largada. Seguimos ainda na escuridão e quando chegamos as 06:10hs estavam todos esperando a gente para dar a largada, pois tinham feito uma mudança no horário e não nos avisaram, depois disso foi correria total, mostramos nossos material, pegamos a planilha do circuito sem estudar e partimos novamente com o sol a nos brindar. Não tive tempo de falar com o Edu sobre o trajeto, tudo começou a passar rápido quando foi dada a largada, lembro apenas que tirei minha mala-bike que havia trazido, no caso de uma futura carona para o Rio após a chegada e saímos acompanhando o pelotão, lembro que comecei a me distanciar do Edu, era uma subida, mais a frente reduzir e esperei ele se aproximar de mim para falar que iria tentar acompanhar o primeiro pelotão, depois disso seguir no meu ritmo vendo ele ficar cada vez mais distante pelo meu retrovisor.
Depois disso partir num ritmo frenético em busca do primeiro pelotão, estavam pedalando numa media de 30 km e como estávamos no plano não sentir dificuldade em acompanha-los.
No caminho encontrei o Richard Dunner e passei por ele como uma bala, cheguei no primeiro PC de 55 km com 1:50 hs e só depois que fui saber que o pelotão que eu estava acompanhando era do desafio e só iriam fazer 160 km, rapidamente baixei o facho e esperei o Richard para acompanha-lo num ritmo mais light.
Nosso ritmo de pedal estava combinando e pela media que estávamos fazendo iríamos concluir com folga os 300 km de Campinas, mas como havia falado antes, o sol estava muito alegre e seus raios aqueciam cada vez mais nossos corpos, eu procurava esquece-lo ingerindo água para não desidratar, as estradas por onde passávamos eram sempre descampadas e isso contribuía para o calor aumentar, durante um trecho indo para Itu encontrei com o irmão gêmeo do Leitãozinho caminhando na estrada e não pude perder a chance de fotografa-lo, ainda brinquei com ele, mas ele não entendeu nada, nem deveria, apenas ficou assustado com a minha bike e queria saber porque eu estava fazendo a foto dele, disse que era para envia ao seu o irmão gêmeo. As 11:00hs estávamos entrando na Estrada dos Romeiros, um lugar muito lindo com arvores em volta acompanhada por um Rio que já está poluído devido as fabricas que não o preservam.
Mas nem tudo era maravilha, as arvores nos protegiam do sol e quando menos esperava a estrada começou a subir, subir, subir!... Parecia que estava indo visitar o Cristo Redentor, a estrada parece muito com a da Paineira e volta e meia encontrávamos com um grupo cavalgando pelo meio da estrada, isso estava se tornando perigoso porque eles se sentiam os donos da estrada nos deixando apenas um pequeno espaço para passar, eis que a estrada começou a descer, não dava para embromar nas descidas, quando o vento frio batia em meu rosto a vontade era de deixar a bike descer o Maximo, o Richard ia à frente eu simplesmente acompanhava o ritmo, derrepentemente surge uma curva e só escuto o aviso do Richard para ter cuidado com os cavalos, mas era tarde demais, eu já estava em cima e quando apertei os freios, voei por cima da bike, conseguir tirar a sapatilha do clipe, mas ela arrastou no asfalto que comeu o nylon e a meia que protegiam meu pé, UFA!... Não me machuquei por ajuda divina, depois disso subimos mais uns 2 km e chegamos no trevo de Itu-Jundiai onde era o PC 2 fazendo 123 km pedalados. Daí em diante tudo parecia normal, não tínhamos mais subidas e o PC 3 estava no posto Gral com 152 km, assim que viramos no trevo e a uns 500metros do pedágio aconteceu nossa primeira baixa, o Richard furou o Pneu traseiro.
Mas isso também não nos causou nenhum “Stress” porque estávamos com tempo de folga para completar a prova. As 14:50 estávamos retornado ao PC 4 com 185 km no Decatlon e o pelotão que tentei acompanhar no inicio da prova já estava de banho tomado, prontos para ir pra casa descançar, confesso que deu vontade de fazer o mesmo, mas nós ainda tínhamos 125 km para pedalar, assim que cheguei no PC tentei fazer contato com o Eduardo para saber como ele estava indo, mas foi em vão ele estava incomunicável, nossa estratégia era tomar um banho e comer algo para pedalar o Maximo com a luz do dia, durante o banho o Richard me emprestou uma camisa limpa e isso foi o Maximo, fomos comer uma massa no restaurante do Decatlon e lá encontramos com o Alec, que estava pedalando sozinho porque o eu dupla havia desistido, convidamos para ele se juntar a nós e ai fizemos uma trinca de peso. Por volta das 16:30hs partimos em direção ao PC 5 no posto Chapadão.
saímos com um ritmo moderado como se estivéssemos saindo do zero em direção a Itatiba-Bragança-Paulista, passamos pelo pedágio e enfrentamos uma subidinha light e começamos a descer, na hora da descida a reclinada tem uma rolagem muito boa e devido a isso desapareci na frente do Alec e Richard, mais a frente surgiu outra subida e os dois não apareciam, decidir ficar esperando, mas nada deles aparecerem, eis que surge o Alec bem longe sem o Richard, quando ele chegou próximo disse que o Richard havia furado o Pneu e que podíamos ir embora, pensei um pouco e decidir esperar, a noite já estava caindo, nós havíamos pedalado mais da metade da prova juntos e não achei justo deixa o parceiro para trás, ainda mais que não tinha nenhum audacioso vindo, nossa diferença era muito grande para quem ia à frente e para quem vinha atrás. As 18:40 hs estávamos apontando o posto Chapadão.
Nosso retorno foi fenomenal, nos restavam apenas 63 km para completarmos a prova, estávamos todos bem e sabíamos só haveria descida, no finalzinho haveria aquela lomba do Decatlon, mais isso não era problema, o Richard saiu puxando o pelotão, nossa preocupação era um pouco com o Alec, porque ele apresentava um pouco de cansaço, faltando 20 km para o final da prova furei meu pneu, mas paramos no posto da Esso e fizemos uma troca rápida e seguimos ate o Decatlon para receber a bandeirada final com o tempo de 16:05 hs. Minha preocupação com o Edu havia aumentado, pois tentei liga para ele durante o percurso, mas foi em vão, depois que larguei minha bike perguntei por ele e tive a triste noticia de que tinha abandonado a prova devido ao forte sol, reconheci imediatamente nosso erro por ter pedalado 100 km no dia anterior com um sol pleno em nossas cabeças, isso foi a grande barreira para o Edu. Uma coisa é certa, aprendemos com nossos propios erros, sei que apartir daí uma lição foi tirada. Temos que descansar o Maximo antes da prova, nossa energia precisa está acumulada para ser usada na hora que for necessário. Com muita tristeza liguei para casa e conseguir falar com ele, mas sentir que a alegria brotou em seu coração quando eu falei que havia completado a prova, me perguntou se estava indo para casa, mas lhe disse que já estava desmontando a bike para colocar na bolsa, porque o Alec iria me dar uma carona ate a Rodoviária, tinha um ônibus saindo para o Rio as 23:45 hs, eram 22:15hs e eu ainda estava fantasiado de ciclista. Foi correria total, mas no final deu tudo certo.
As 23:20 hs o Alec estava me deixando na Rodoviária e pude comprar as nossas passagens, o Edu estava vindo de Barão Geraldo com o Elcio e como ainda tinha um tempo livre fui ate o bar buscar uma cerveja preta para brindar o acontecimento. Nos encontramos no lado de fora da rodoviária onde pude agradecer pela estadia e dei minha camisa do audax ao Elcio para deixar selado o inicio de uma grande amizade. Após esse ato nos despedimos e corremos para o ônibus que estava de saída, no ônibus o Eduardo me falou sobre o acontecido, lhe dei atenção por alguns instantes , mas o cansaço era muito grande e adormeci só acordando na rodoviária novo Rio. Chegamos as 07:00 hs da manhã e fazia um dia lindo de sol, sentir vontade de voltar para casa pedalando junto com o Edu, mas iria dar muito trabalho para monta-la novamente, nos despedimos na rodoviária deixando na lembrança a saudade da grande aventura que vivemos.
Audax Campinas 300 Km
Cezar Barbosa
|